ESCREVE QUEM PODE, LÊ QUEM QUER
O papel recebe qualquer escrito. Ele
não sabe escolher. Por isso muita coisa que se escreve jamais deveria
ser escrita e muito menos lida.Assim as linhas recolhem frivolidades,
mau gosto, inutilidades, grosserias, ódio, desamor e tantas outras
sandices. No entanto a comunicação deveria levar a quem a recebe através
de uma página, beleza, cultura, solidariedade, fé, esperança e amor. E o
pior, é que a maioria das pessoas já tão desiludidas pelo que leem, não
tem mais paciência de apreciar um bom texto, até por não acreditar que
vai ser bom. E assim a escrita vai deixando de ser uma forma eficaz de
intercâmbio literário e vamos nos livrando da boa literatura. Talvez,
num mundo cada vez mais inculto, o que se escreve esteja tão repleto de
abreviações, xingamentos, erros ortográficos e de concordância, falta de
sentido, distorções e inutilidades, que já não se saiba mais
identificar a boa leitura. Mas ela existe e deve ser buscada. E quando
encontrada, festejada como quem acha um tesouro, pois esta é a sua
natureza.
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