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sábado, 5 de outubro de 2013



                                   CAUSA  E  EFEITO
Quando Jesus veio ao mundo reinava a opressão, a escravidão, a fome, miséria e as Nações eram governadas por minorias privilegiadas, que se mantinham no poder através da força.
Jesus não combateu esse efeito. Bem sabia que havia uma causa para todo o mal que assolava o mundo. E, em sua suprema  sabedoria, tinha a noção exata de que não se combate o mal com outro mal, mas com o Bem. Era preciso mostrar às pessoas que havia outra forma de corrigir o que estava errado sem fazer uso da força e da rebelião. Mesmo por que revolução gera revolução, luta de classes pelo poder gera um eterno inconformismo  que nunca alcança a justiça e a paz.
Em todos os Evangelhos, nas Cartas, nos Atos dos Apóstolos e até no Apocalipse não se encontram palavras de confronto. O mal é sempre condenado, mas os instrumentos para combatê-lo são de outra ordem. E Jesus revela o Pai que ama a todos como filhos e quer que todos se amem como a si próprios. E passa os três últimos anos de sua vida nos ensinando a amar a Deus no próximo, para que não haja fome, sede, nudez, desabrigados, doentes e prisioneiros desamparados, mesmo por que, Ele afirma, os responsáveis por esses males terão a condenação eterna.
Durante três anos Jesus prega o amor, cura doentes,  dá de comer a multidões famintas, ensina a repartir o pão, e nem uma só vez incita o povo à rebelião. Dai a Cesar o que é de Cesar e  a Deus o que é de Deus, afirma ao seu interlocutor, evitando assim a armadilha. Mas seus ensinamentos conduziam à verdadeira cidadania, pois criavam raízes, não eram estéreis e levianos.
Os detentores do poder sabiam que Ele representava um enorme perigo por que seus ensinamentos não derrubariam as estruturas, mas conduziriam à construção de uma nova ordem baseada na paz, justiça e igualdade.
Jesus foi crucificado,  não por ser um agente de transformações sociais, mas por ser Mestre na edificação de novos seres humanos, que a médio e longo prazo modificaria o mundo.
Foi isso o que o Cristianismo trouxe para o mundo: a crença na recompensa para os bons na vida eterna; a vivência do amor, a liberdade, o fim dos governos totalitários, a democratização dos meios de educação, as primeiras iniciativas de saúde para todos, o desenvolvimento das artes e da cultura, o respeito à dignidade do trabalhador, entre outras.  Tudo isso através da conversão aos princípios evangélicos.
Hoje vejo seguimentos do Cristianismo tentando mudar as estruturas através do confronto e do ataque ao efeito. Esquece-se que a causa é o afastamento de Deus e que só pode ser combatida através da Conversão aos Evangelhos. Esquece-se que a missão dos verdadeiros cristãos é “ ir e levar o Evangelho a toda criatura.” E assim  o púlpito vem sendo usado para protestar e acirrar os ânimos, ao invés de formar e doutrinar os corações. A Igreja tem a missão de condenar o mal, em qualquer forma em que se apresente. No entanto a forma de combatê-lo é a mesma usada por Jesus Cristo, ou seja, apresentar algo melhor para substituí-lo, algo que transcenda o horizonte humano e se projete para a eternidade. E esse algo só se encontra na volta do homem a Deus, na religação da criatura com o Criador, na conscientização de que somos irmãos, filhos do mesmo Pai Eterno, que d’Ele vimos e para Ele voltaremos. Essa é a missão do Cristianismo. O resto é pobre ideologia  humana.

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