CAUSA E
EFEITO
Quando Jesus veio ao mundo reinava a opressão, a escravidão,
a fome, miséria e as Nações eram governadas por minorias privilegiadas, que se
mantinham no poder através da força.
Jesus não combateu esse efeito. Bem sabia que havia uma causa
para todo o mal que assolava o mundo. E, em sua suprema sabedoria, tinha a noção exata de que não se
combate o mal com outro mal, mas com o Bem. Era preciso mostrar às pessoas que
havia outra forma de corrigir o que estava errado sem fazer uso da força e da
rebelião. Mesmo por que revolução gera revolução, luta de classes pelo poder
gera um eterno inconformismo que nunca
alcança a justiça e a paz.
Em todos os Evangelhos, nas Cartas, nos Atos dos Apóstolos e
até no Apocalipse não se encontram palavras de confronto. O mal é sempre condenado,
mas os instrumentos para combatê-lo são de outra ordem. E Jesus revela o Pai
que ama a todos como filhos e quer que todos se amem como a si próprios. E
passa os três últimos anos de sua vida nos ensinando a amar a Deus no próximo,
para que não haja fome, sede, nudez, desabrigados, doentes e prisioneiros desamparados,
mesmo por que, Ele afirma, os responsáveis por esses males terão a condenação
eterna.
Durante três anos Jesus prega o amor, cura doentes, dá de comer a multidões famintas, ensina a
repartir o pão, e nem uma só vez incita o povo à rebelião. Dai a Cesar o que é
de Cesar e a Deus o que é de Deus,
afirma ao seu interlocutor, evitando assim a armadilha. Mas seus ensinamentos
conduziam à verdadeira cidadania, pois criavam raízes, não eram estéreis e
levianos.
Os detentores do poder sabiam que Ele representava um enorme
perigo por que seus ensinamentos não derrubariam as estruturas, mas conduziriam
à construção de uma nova ordem baseada na paz, justiça e igualdade.
Jesus foi crucificado,
não por ser um agente de transformações sociais, mas por ser Mestre na
edificação de novos seres humanos, que a médio e longo prazo modificaria o
mundo.
Foi isso o que o Cristianismo trouxe para o mundo: a crença
na recompensa para os bons na vida eterna; a vivência do amor, a liberdade, o
fim dos governos totalitários, a democratização dos meios de educação, as
primeiras iniciativas de saúde para todos, o desenvolvimento das artes e da
cultura, o respeito à dignidade do trabalhador, entre outras. Tudo isso através da conversão aos princípios
evangélicos.
Hoje vejo seguimentos do Cristianismo tentando mudar as estruturas
através do confronto e do ataque ao efeito. Esquece-se que a causa é o
afastamento de Deus e que só pode ser combatida através da Conversão aos
Evangelhos. Esquece-se que a missão dos verdadeiros cristãos é “ ir e levar o
Evangelho a toda criatura.” E assim o
púlpito vem sendo usado para protestar e acirrar os ânimos, ao invés de formar
e doutrinar os corações. A Igreja tem a missão de condenar o mal, em qualquer
forma em que se apresente. No entanto a forma de combatê-lo é a mesma usada por
Jesus Cristo, ou seja, apresentar algo melhor para substituí-lo, algo que
transcenda o horizonte humano e se projete para a eternidade. E esse algo só se
encontra na volta do homem a Deus, na religação da criatura com o Criador, na
conscientização de que somos irmãos, filhos do mesmo Pai Eterno, que d’Ele
vimos e para Ele voltaremos. Essa é a missão do Cristianismo. O resto é pobre
ideologia humana.
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