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domingo, 13 de outubro de 2013



                                  SE EU PUDESSE VOLTAR NO TEMPO...

Sinto-me só. Procuro na memória os amigos, quero visita-los, bater um papo, rir com  eles, cantar, lembrar de casos engraçados, dar e receber conselhos, mas por mais que eu tente, não os encontro. As pessoas que passaram em minha vida, não criaram raízes, não lhes dei oportunidade  de serem íntimas ou especiais, eram apenas contatos de trabalho, de clubes e até de Igreja. Nunca as convidei para almoçar em minha casa. Na verdade nunca lhes abri  minha casa nem as visitei em suas casas.
Olho para o vizinho e vejo a diferença. Sua casa está cheia de amigos. Os homens preparam, numa churrasqueira improvisada, um churrasco para o qual cada um  contribuiu de alguma forma; as crianças correm no quintal, inventando mil brincadeiras; as mulheres montam, na varanda, uma  mesa com vários pratos para o almoço. Latinhas de cerveja e de refrigerante passam de mão  em mão. E me dou conta de que, apesar de nos conhecermos há tantos anos, não fui convidado. Mas como seria? Nunca lhe dei chance de se aproximar de mim. Não sei ao certo o nome de sua esposa, muito menos os nomes dos filhos.
Saio de casa e decido andar um  pouco pelas ruas. Moro neste Bairro por tantos anos e não conheço praticamente  ninguém. Sou um estranho em meio a estranhos. Até os cachorros que passam  latem para mim.
É domingo. Para mim um dia horrível, por não ter com quem falar. Fico esperando, ansiosamente, chegar a segunda feira, quando poderei me ocupar e voltar aos  “amigos de trabalho”.
Faço então um  propósito: vou fazer dos conhecidos verdadeiros amigos. Vou passar a me interessar por eles, perguntar sobre suas famílias, principalmente filhos, saber onde moram, presenteá-los nos aniversários, convidá-los para um café, talvez um almoço, plantar enfim sementes de amizades e esperar pacientemente que germinem.
Pode ser que demore um pouco até dar certo. Não importa. Saberei esperar. Afinal, amigos fiéis são um tesouro pelo qual se vale a pena lutar.

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