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segunda-feira, 25 de julho de 2011

EU SOU


No alto do madeiro vi meu filho crucificado.
Como lobos vorazes, sob a cruz, disputavam seu manto.
Aqueles por quem Ele morria,
Riam e debochavam,
Desafiando-o a descer, se fosse Deus.
Ouvi meu Filho suplicar-me por seus algozes:
-Pai, perdoai-lhes... não sabem o que fazem.
Vi-o abrir seu coração misericordioso, ao ladrão arrependido:
-Ainda hoje estarás comigo no Paraíso.
Como Pai sofri ao ouvir meu Filho, semi inconsciente,
Bradar, tomado pela dor:
- Pai, por que me abandonaste?
Foram seis horas de suplício.
- Tenho sede!
Quem o ouvia imaginava que buscava água.
Não sabiam que estava sedento do meu amor.
Sentia sede do amor daqueles por quem morria.
Jamais houve alguém tão só... tão abandonado...
Era preciso. Era essa sua missão :
Carregar nos ombros todos os sofrimentos do mundo;
Suportar todo o peso dos pecados humanos;
Sentir a solidão do abandono.
Seu rosto deformado,
Seu corpo dilacerado,
Seus ossos à mostra,
Não deixavam ver a perfeição com que o criei.
Era a caricatura de um ser humano.
Aguardou até o último instante,
Para num suspiro final voltar a mim:
_ Tudo está consumado.
- Pai, em tuas mãos entrego meu espírito.
Haverá pai que ame mais que eu?
Haverá filho que se doe mais que o meu?
O sofrimento dele foi o meu,
E o meu sofrimento foi o dele,
Pois Eu estou nele,
E Ele está em mim.
Antes que tudo existisse,
Nós já existíamos na unidade.
Pois Eu sou!

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