NOSSAS ESCOLHAS
Tive uma conversa com um amigo que me deixou muito deprimido.
Falou-me, com tristeza, que abandonou os estudos antes de se formar.
É que a namorada engravidara e o jeito era casar.
Andara de emprego em emprego, buscando melhoras,
A família havia crescido, já eram três filhos,
E a mulher tinha um gênio do cão,
O que tornava a sua vida um martírio.
Não conseguia juntar dinheiro, morava em casa alugada
E o locador lhe pedira o imóvel.
Por fim me disse que estava pensando em se divorciar.
Procurei consolá-lo, lhe disse palavras de fé e esperança,
Tentei explicar que a separação, neste momento,
Seria uma emenda pior que o soneto.
E lá se foi ele com uma enorme nuvem negra sobre a cabeça.
Só não disse a ele, porque achei não ser conveniente,
Que nossa vida é o resultado de nossas escolhas.
Em dado momento ele escolheu engravidar a namorada;
Parar os estudos; casar; ter três filhos
E, sobretudo se acomodar.
Seguiu o conselho poético, que nem sempre funciona:
“Deixa a vida me levar, vida leva eu...”
Esse é o retrato fiel de milhões de pessoas que deixam de usar a razão
E se entregam às emoções e paixões.
Mas uma coisa eu disse a ele:
-Sempre é possível recomeçar. É mais difícil? É!
Reformar sempre é mais demorado e caro do que construir.
Mas não se joga fora o que, bem ou mal, se construiu.
A família é um patrimônio insubstituível;
Sempre é tempo de estudar;
O amor não acaba; fica apenas soterrado em nossos escombros;
Os filhos são dádivas divinas.
É preciso voltar a sonhar, trazer de volta a fantasia,
Ressurgir das cinzas como a Fênix;
Ressuscitar em nossa alma a juventude eterna,
Ali plantada por Deus.
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