LÁ, BEM
DISTANTE...
Tenho um
cantinho, bem distante, longe de tudo,
Aonde vou
sempre ao final da tarde.
Lá eu guardo
para mim, a sete chaves, meu paraíso.
Lá, alguém
me espera, de corpo e alma enfeitados,
Com um
sorriso e olhar angelicais,
Braços
abertos e um coração repleto de amor.
Nossa
casinha toda branca, com vasos de plantas nas janelas,
Em meio a um
jardim onde as flores renascem a cada dia,
Com todos os
matizes da primavera,
É onde me
refugio dos desencantos do mundo.
Lá não
entram a dor ou a solidão;
A violência
ou o medo;
O ódio ou as
mágoas.
Naquela casa
só permanecem o amor e a paz.
É tão
distante que ninguém pode alcançar;
É tão perto
que ninguém pode imaginar.
Há um riacho
que passa bem pertinho, sempre sussurrando;
Há os
pássaros, de todas as cores, sempre a cantar.
Quando abro
a porta e entro com meu amor,
O mundo
silencia, as preocupações vão embora
E a
natureza, à volta, se orna para nos embalar.
Esse mundo
está ao alcance de todos,
Basta
possuir um coração meigo e amoroso,
Sem jamais
permitir que o mundo o corrompa.
Todo dia, ao
final da tarde, fecho os olhos,
Silencio a
minha voz, acalmo a respiração,
Esvazio a
minha mente, abro os braços e me deixo levitar.
Então vejo,
com todos os detalhes, o meu cantinho,
além do mundo,
Onde só eu
posso ir.
Nesse
instante eu estou lá, bem distante,
E ali permaneço
de corpo e alma,
Banhando-me
na almejada fonte da juventude,
Que poucos
conseguem achar.
Seria
simples, como um piscar de olhos, encontrar esse lugar,
Não fosse necessária
uma alma de criança,
Aberta à
fantasia com o singelo dom de amar.
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