O BOBO DA CORTE
Certa vez, não sei onde, ouvi a seguinte história: Era uma vez um reino que possuía um monarca muito sábio. Como todo monarca, ele tinha também um bobo da corte, que ao contrário do que se pensa, era uma pessoa muito influente, pois gozava da amizade do rei. A função dos bobos da corte era a de criar um ambiente de muita alegria e descontração para a família real. E por isso acabavam por ter com os reis uma intimidade que lhes permitia influir em suas decisões. O nosso bobo em questão fora admitido através de um concurso onde ele concorreu com vários outros, tirando em primeiro lugar. A única exigência do rei foi que, o dia em que ele encontrasse um bobo mais bobo que ele, lhe passasse o cetro que agora recebia. Passaram-se anos, muitos anos e o prestígio do bobo se consolidou. Era um verdadeiro ministro do rei. Até que um dia foi acordado de madrugada, por um emissário, que informou estar o rei morrendo e desejoso de lhe falar. Rapidamente o bobo foi aos aposentos do rei e este lhe falou com voz fraca e baixa: Meu amigo bobo, estou morrendo, mas quero lhe pedir que após a minha morte, continue dando ao meu filho que vai me suceder a mesma amizade e lealdade que tem dado a mim. Já conversei com todos os outros ministros, só faltava você. Então o bobo lhe disse: Majestade, pelo que vejo já tomou todas as providências de Estado. Permita-me lhe perguntar: Já preparou sua alma para o encontro com Deus? O rei, admirado, lhe disse: Ainda não tive tempo. Então o bobo tirou de sua cintura o cetro que dele recebera sob condição e lhe disse: Majestade, receba este cetro. Finalmente encontrei alguém mais bobo do que eu.
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