H Ó S T I A S V I V A S
Estou sentado no banco da Igreja. É domingo e espero a Missa começar. No banco da frente percebo a presença de um casal, tendo numa cadeira de rodas uma filha adolescente excepcional, erguendo as mãozinhas e contorcendo os dedos, com o olhar perdido e alheia a tudo a sua volta. Pude notar os cuidados amorosos de seus pais, a todo o momento passando o lenço em seus lábios molhados e beijando o seu rosto. É uma cena perfeita do mais belo amor. Dois bancos a frente, uma mãe já de cabelos embranquecidos, toma lugar na ponta de um banco, colocando a seu lado uma cadeira de rodas elétrica, ocupada por sua filha, de cerca de 15 anos, paraplégica, possuindo, no entanto, alguns movimentos nos braços e nas mãos, o que lhe possibilitava manobrar a cadeira. Enquanto sua mãe se desdobrava em cuidados com ela, vi seu olhar terno e doce voltado para a primeira criança, bancos atrás. Mal havia começado a Missa, entrou pelo meio da nave central, um senhor de meia idade, de bermudas e chinelos de dedo, olhando e sorrindo para todos, desfilando alegremente pelos corredores, entre os bancos, sentando-se por alguns minutos diante do altar, e, depois, da mesma forma como entrou , saindo por uma porta lateral. Em seu mundo colorido não se dava conta de sua triste situação. No altar, garboso em seu uniforme, outro senhor, excepcional, fazia as funções de acólito, por benevolência do sacerdote. Num só Templo, numa manhã de domingo, quatro filhos de Deus que só sobreviviam graças ao amor dos familiares. Fiquei pensando naqueles que não tinham esse amor e sofrem por esse mundo afora. Lembrei-me de minha irmã, Lucinha, nas mesmas condições, vivendo graças ao amor da família. Sobre o Altar, Jesus, na Cruz, me falava do amor que o levou a se sacrificar por todos nós. E com os olhos anuviados de lágrimas lhe perguntei por que permitia tanta dor, e o que seria dessas pessoas doentes se perdessem seus pais. Em busca de respostas admiti que essas crianças, pois possuíam alma de criança, não tinham consciência da própria situação; e que seus pais eram os braços de Deus em suas vidas; e que o Senhor nunca as desampararia. Dei-me conta, em meio a minha oração angustiada, que essas crianças eram joias preciosas, contrastando com um mundo pecador que mais e mais se afasta de Deus. E que elas eram como hóstias vivas oferecidas ao Pai impedindo assim que sua Mão de Justiça recaísse sobre a humanidade. Essas reflexões não me consolaram, mas me fizeram ver como é importante a família e o amor, que devemos ter por todos, principalmente, pelos mais fracos e carentes.
Estou sentado no banco da Igreja. É domingo e espero a Missa começar. No banco da frente percebo a presença de um casal, tendo numa cadeira de rodas uma filha adolescente excepcional, erguendo as mãozinhas e contorcendo os dedos, com o olhar perdido e alheia a tudo a sua volta. Pude notar os cuidados amorosos de seus pais, a todo o momento passando o lenço em seus lábios molhados e beijando o seu rosto. É uma cena perfeita do mais belo amor. Dois bancos a frente, uma mãe já de cabelos embranquecidos, toma lugar na ponta de um banco, colocando a seu lado uma cadeira de rodas elétrica, ocupada por sua filha, de cerca de 15 anos, paraplégica, possuindo, no entanto, alguns movimentos nos braços e nas mãos, o que lhe possibilitava manobrar a cadeira. Enquanto sua mãe se desdobrava em cuidados com ela, vi seu olhar terno e doce voltado para a primeira criança, bancos atrás. Mal havia começado a Missa, entrou pelo meio da nave central, um senhor de meia idade, de bermudas e chinelos de dedo, olhando e sorrindo para todos, desfilando alegremente pelos corredores, entre os bancos, sentando-se por alguns minutos diante do altar, e, depois, da mesma forma como entrou , saindo por uma porta lateral. Em seu mundo colorido não se dava conta de sua triste situação. No altar, garboso em seu uniforme, outro senhor, excepcional, fazia as funções de acólito, por benevolência do sacerdote. Num só Templo, numa manhã de domingo, quatro filhos de Deus que só sobreviviam graças ao amor dos familiares. Fiquei pensando naqueles que não tinham esse amor e sofrem por esse mundo afora. Lembrei-me de minha irmã, Lucinha, nas mesmas condições, vivendo graças ao amor da família. Sobre o Altar, Jesus, na Cruz, me falava do amor que o levou a se sacrificar por todos nós. E com os olhos anuviados de lágrimas lhe perguntei por que permitia tanta dor, e o que seria dessas pessoas doentes se perdessem seus pais. Em busca de respostas admiti que essas crianças, pois possuíam alma de criança, não tinham consciência da própria situação; e que seus pais eram os braços de Deus em suas vidas; e que o Senhor nunca as desampararia. Dei-me conta, em meio a minha oração angustiada, que essas crianças eram joias preciosas, contrastando com um mundo pecador que mais e mais se afasta de Deus. E que elas eram como hóstias vivas oferecidas ao Pai impedindo assim que sua Mão de Justiça recaísse sobre a humanidade. Essas reflexões não me consolaram, mas me fizeram ver como é importante a família e o amor, que devemos ter por todos, principalmente, pelos mais fracos e carentes.

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