O ARTISTA
A tela estava em branco.
Pincel na mão, uma infinidade de cores,
E o coração cheio de amor,
Com a mente fervilhando de sonhos,
O artista deu início
à obra.
Construiu uma abóboda celeste azul aveludada,
Semeou sobre ela,
estrelas, planetas, sois e luas.
E viu que tudo o que fizera era bom.
Mas faltava algo que coroasse seu talento.
Assim em meio a tanta beleza,
Dando destaque e sobrepujando
a tudo,
Idealizou um planeta azulado,
Repleto de mares e rios, fontes e lagoas,
Montes, montanhas, vales e planícies,
Florestas verdejantes,
Uma lua que à noite dardejava raios prateados
E um sol que, durante o dia, aquecia e tornava férteis as
plantas.
Povoou aquele mundo com toda a espécie de animais
Que conviviam pacificamente,
Polis a natureza lhes dava
o necessário.
E sorriu de alegria ante tanta perfeição.
E ele, o artista resolveu habitar, em meio a sua criação.
Com toques requintados de pincel
Construiu dois seres à sua imagem e semelhança.
E os chamou de homem e mulher.
Agora podia descansar.
Sua obra estava acabada e perfeita.
E Ele a exibiu diante
de todo o Universo,
Como símbolo de seu amor e presença.
E cheio de emoção disse:
-Vive, fala, anda!
E o que era apenas uma tela,
Transformou-se no paraíso
Olhos atentos no infinito,
O coração em disparada,
O Artista, hoje, procura em vão por sua obra.
-Onde se escondeu tanta beleza?
-Homem, mulher, onde está o Paraíso que lhes dei?
-Deixem-me ver o que
restou.
- Eu ainda posso restaurá-lo.
-Venham a mim, e eu farei novas todas as coisas.
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