A EXISTÊNCIA HUMANA
CAPÍTULO 2
O AMOR
Como já me referi, amor não é
filantropia, muito menos paixão. Amor é
sentimento de doação. É se realizar fazendo outra pessoa feliz. O falso amor é aquele que usa os outros para conseguir a própria
felicidade. Isso é egoísmo e
jamais traz realização.
Via de regra todos nós temos a
atração pelo bem e pelo amor. Contudo a vida vai tornando
nossos corações tão duros que criamos uma cerca de proteção a nos
afastar do outro. E quanto mais afastados do amor, mais solitários e infelizes
nos tornamos.
Por que nascemos com essa
tendência para o bem e por que somos tão atraídos pelo mal? Sentimos que o
espírito almeja a paz, a solidariedade e
a harmonia, enquanto a carne nos consome no prazer, na luxúria e no ter. Mas
nossa inteligência se rebela, achando que a vida não pode ser só isso, e que deve haver algo mais. Será que fomos
criados para viver esse dualismo finito?
Nascemos, crescemos, vivemos , envelhecemos, morremos e mais nada? É a própria razão que nos diz
que há algo mais. O ser humano anseia
pela vida que não pode se extinguir com
a morte.
É o amor que mora em nós que precisa de tempo e espaço para se
realizar; um tempo e espaço que
extrapola a mortalidade; que vai além do
aqui e agora; é a sede da imortalidade.
As obras de amor nos dão uma alegria incomensurável. Diferente
dos atos de egoísmo que nos satisfazem no momento, mas deixam um gosto amargo
de frustração. Esse amor, em sua
essência, pode ser notado nas crianças, que ainda não foram contaminadas pelo
mundo. A criança é o símbolo de amor para a humanidade. Por isso o Mestre dos Mestres disse que “ o reino dos céus é para
aqueles que forem semelhantes às crianças.”
Embora saibamos que a sociedade moderna vive distanciada do amor,
diante do mal que assola a humanidade, insistimos em viver o
individualismo. E assim não vemos quantos passam fome, sede, desemprego,
desabrigo, doenças e tantos outros males. E cada vez mais aumenta o número dos
necessitados. É uma bomba relógio sem hora determinada para explodir. O pino
que trava essa bomba é o amor que embora pouco, ainda existe. Vivemos num mundo de insatisfação: Os ricos,
insatisfeitos por não encontrarem
realização; os pobres, por não terem o necessário para viver. E o
amor que poderia unir uns aos outros
deixado de lado como ferramenta imprestável.
E qual uma grande onda humana as
pessoas caminham por este mundo, desesperançadas, por falta de um verdadeiro
ideal que precisa passar pelo amor. Aumentam as clínicas psiquiátricas, os consultórios,
os cursos de controle da mente, o curandeirismo, mas o homem não entende que precisa se voltar para a
fonte do amor.
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