A CURA INTERIOR DE SETE DISCÍPULOS
Eram sete os discípulos que
estavam a beira do mar, após a
ressurreição de Jesus. Havia algo em comum entre eles. Pedro negara Cristo três vezes no momento de
sua flagelação. O que poderia esperar agora do
Ressuscitado? Seu coração estava pesaroso, arrependido, mas não
conseguia perdoar a si próprio. Acreditava que seria rejeitado por Jesus. Natanael tinha em mente suas próprias
palavras quando dissera a respeito de Jesus: De Nazaré pode surgir algo de bom?
Compreendia agora que daquela cidade
viera o homem-Deus e que Ele provara isso com a sua ressurreição. Como olhar
Jesus nos olhos? Achava que para seu
pecado não havia perdão. Tomé era o mais incrédulo de todos os discípulos.
Duvidara da ressurreição, mesmo após o testemunho dos outros que o viram. Se
não colocar meus dedos nas feridas de seus cravos e puser minha mão no seu lado
aberto, não acreditarei, dissera ele, cheio de incredulidade. E Jesus lhe diz
então em sua segunda aparição aos apóstolos: Tomé! Ponha a mão em meu lado
aberto e seus dedos nas feridas de meus cravos. Não seja incrédulo, mas um homem de fé. E Tomé, de joelhos, declara: Meu Senhor e meu
Deus. E Jesus complementa: Tu acreditaste porque viste. Bem aventurados os que
não viram e creram. Pobre de mim pensava,
agora, Tomé. Não tenho perdão. João e seu irmão Tiago lembravam que usaram sua
mãe para pedir a Jesus que, no seu Reino, os colocasse um à direita e outro à
esquerda, acima de todos os apóstolos. Não entenderam a mensagem de um Reino
Eterno e desejaram ter poder e glória.
Repreendidos por Jesus, só agora se davam conta de sua pequenez. Nesse momento
eles só queriam estar no Reino Eterno, ainda que no último lugar. Mas será que Jesus os aceitaria?
Cinco homens marcados por feridas
interiores que não conseguiam perdoar a si próprios. Foram pescar numa
tentativa de acalmar sua angústia. Mas ainda havia dois discípulos aos quais o
Evangelista não dá nomes. Quem seriam?
Esses desconhecidos somos eu e você! Qual de nós não carrega no peito a
marca de algo que não deveria ter feito, mas fez? A tristeza de não poder apagar o passado? A
culpa pelo que fez e o fato de não poder se perdoar? Nós estávamos ali, na
profecia evangélica, como hoje estamos, em busca do perdão, do resgate de
nossos sentimentos. Provavelmente estavam fugindo do Ressuscitado, com medo de
sua culpa.
Já cansados da pescaria infrutífera veem da margem um homem lhes
dizendo para lançar a rede do lado direito. Eles a lançam e conseguem tantos peixes que não conseguem colocá-los
dentro do barco. É então que reconhecem Jesus, a cem metros
de distância. Naquele instante Pedro esquece de seu medo, da sua angústia, lança-se ao mar e vai a nado ao encontro de
Jesus. Ele vai em busca do perdão e da cura que só o Mestre pode dar. Quando os demais
discípulos chegam às margens, é Pedro que, sozinho, arrasta a rede repleta de
peixes para as margens. O Evangelista deixa claro que a rede representa a Igreja, os peixes somos nós e compete a
Pedro, o Papa, arrastar e guiar essa Igreja,
pelos caminhos do Mundo.
Ali, na praia, sentados juntos
com Jesus, fazendo a refeição, eles encontram o perdão, a cura interior, sem sequer
uma palavra de recriminação. Ali,
finalmente, conseguem se perdoar e descobrem que Jesus já os perdoou do alto da
Cruz, quando orou: Pai, perdoai-lhes, pois não sabem o que fazem.
E nós, os outros dois, quando iremos ao encontro
de Jesus, em busca da cura?
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