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quinta-feira, 18 de julho de 2013

                     A CURA INTERIOR DE SETE DISCÍPULOS
Eram sete os discípulos que estavam  a beira do mar, após a ressurreição de Jesus. Havia algo em comum entre eles.  Pedro negara Cristo três vezes no momento de sua flagelação. O que poderia esperar agora do  Ressuscitado? Seu coração estava pesaroso, arrependido, mas não conseguia perdoar a si próprio. Acreditava que seria rejeitado por Jesus.  Natanael tinha em mente suas próprias palavras quando dissera a respeito de Jesus: De Nazaré pode surgir algo de bom?  Compreendia agora que daquela cidade viera o homem-Deus e que Ele provara isso com a sua ressurreição. Como olhar Jesus nos olhos? Achava que para  seu pecado não havia perdão. Tomé era o mais incrédulo de todos os discípulos. Duvidara da ressurreição, mesmo após o testemunho dos outros que o viram. Se não colocar meus dedos nas feridas de seus cravos e puser minha mão no seu lado aberto, não acreditarei, dissera ele, cheio de incredulidade. E Jesus lhe diz então em sua segunda aparição aos apóstolos: Tomé! Ponha a mão em meu lado aberto e seus dedos nas feridas de meus cravos. Não seja  incrédulo, mas um homem de fé.  E Tomé, de joelhos, declara: Meu Senhor e meu Deus. E Jesus complementa: Tu acreditaste porque viste. Bem aventurados os que não viram e  creram. Pobre de mim pensava, agora, Tomé. Não tenho perdão. João e seu irmão Tiago lembravam que usaram sua mãe para pedir a Jesus que, no seu Reino, os colocasse um à direita e outro à esquerda, acima de todos os apóstolos. Não entenderam a mensagem de um Reino Eterno e desejaram  ter poder e glória. Repreendidos por Jesus, só agora se davam conta de sua pequenez. Nesse momento eles só queriam estar no Reino Eterno, ainda que  no último lugar. Mas será que  Jesus os aceitaria?  
Cinco homens marcados por feridas interiores que não conseguiam perdoar a si próprios. Foram pescar numa tentativa de acalmar sua angústia. Mas ainda havia dois discípulos aos quais o Evangelista não dá nomes. Quem seriam?  Esses desconhecidos  somos  eu e você! Qual de nós não carrega no peito a marca de algo que não deveria ter feito, mas fez?  A tristeza de não poder apagar o passado? A culpa pelo que fez e o fato de não poder se perdoar? Nós estávamos ali, na profecia evangélica, como hoje estamos, em busca do perdão, do resgate de nossos sentimentos. Provavelmente estavam fugindo do Ressuscitado, com medo de sua culpa.
Já cansados da pescaria  infrutífera veem da margem um homem lhes dizendo para lançar a rede do lado direito. Eles a lançam e  conseguem tantos peixes que não conseguem colocá-los dentro do barco. É então que reconhecem Jesus, a   cem metros  de distância. Naquele instante Pedro  esquece de seu medo, da sua angústia,  lança-se ao mar e vai a nado ao encontro de Jesus. Ele vai em busca do perdão e da cura que só  o Mestre pode dar. Quando os demais discípulos chegam às margens, é Pedro que, sozinho, arrasta a rede repleta de peixes para as margens. O Evangelista deixa claro que a rede representa  a Igreja, os peixes somos nós e compete a Pedro, o Papa, arrastar e guiar essa Igreja,  pelos caminhos do Mundo.
Ali, na praia, sentados juntos com Jesus, fazendo a refeição, eles encontram o perdão, a cura interior, sem sequer uma palavra  de recriminação. Ali, finalmente, conseguem se perdoar e descobrem que Jesus já os perdoou do alto da Cruz, quando orou: Pai, perdoai-lhes, pois não sabem o que fazem.
E nós, os outros dois, quando iremos ao encontro de Jesus, em busca da cura?

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