EXAME DE
CONSCIÊNCIA
Acordei esta manhã e, ao olhar-me no espelho, fiquei
assustado. Os cabelos brancos, as rugas no rosto e as dores musculares, em contraste com a minha
sede de vida, fizeram com que me perguntasse: o que fiz em todos esses anos de
vida? Como esse tempo passou sem que eu notasse?
A s recordações começam a aflorar e vejo então quantos erros
foram cometidos. A maior parte dos erros foi na forma de me relacionar. A
prepotência, a vaidade e o egoísmo estiveram sempre presentes sem que me desse
conta. Talvez porque estivesse mais preocupado com a minha felicidade que com a
dos outros.
Quanta coisa, com um pouco mais de esforço, eu poderia fazer
e quantas outras, com um pouco mais de humildade, não faria.
Quis aproveitar a vida, como na história da cigarra e da
formiga, e perdi a hora de realizar.
Quis abraçar o mundo com as pernas, como diz o ditado, e não
entendi que cada coisa deve ser feita a seu tempo e a sua hora, para que tudo
possa ter início, meio e fim.
Vivi como se a vida fosse eterna, e negligenciei o espírito
que sobrevive à morte.
Olho para trás e sinto que não usei todos os dons que recebi
de Deus.
E se algumas vitórias tive, devo mais à misericórdia divina,
que a meus esforços.
Pensei saber tudo e ser capaz de mil coisas.
Hoje percebo como o filósofo, que a única coisa que sei é
que não sei de nada.
Lamento-me pela vida perdida. Entristeço-me pelo tempo mal
usado.
Mas reconheço que
sempre há tempo para recomeçar.
Amanhã será um novo dia. Poderei até cometer novos erros, por displicência, mas
não repetirei os do passado.
E certamente, mais adiante, reconhecerei minhas novas
culpas, para me penitenciar como hoje faço.
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