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sexta-feira, 5 de outubro de 2012



                                                         O   ELEVADOR

Era segunda feira e eu estava decidido a tomar uma atitude que vinha protelando há muito tempo:  vender meu sítio.
Era uma decisão difícil, pois sou apaixonado pela natureza e meu sítio é um santuário de preservação ecológica. O que pesava contra   era o fato de que  minha família  quase não freqüentava o sítio e o custo de manutenção era muito alto.
Enquanto caminhava para o prédio da Corretora, mil pensamentos iam e vinham a minha mente. Ali vivera os melhores dias de minha vida. Aprendi com a natureza viva o respeito e admiração pelos animais, pelas florestas, pelos rios. Foi lá, no sítio, que pela primeira vez olhei extasiado para o céu, à noite,  e descobri  a  suntuosidade e beleza  do espaço azul engalanado  se debruçando sobre a terra. Em quantas noites, sob  a luz do luar, em volta de uma fogueira, ouvi e contei casos e causos, admirado com a singeleza do homem da terra.
Parei diante do prédio da corretora e vi nele um monstro mitológico  tentando devorar meus sonhos.
Era um  prédio de três andares. No primeiro funcionava a portaria e uma lanchonete; no segundo, a corretora e no terceiro, diversos escritórios.
Como era um só lance de escadas, resolvi  subir por elas. Uma placa dizendo “ escada em obras”  fez-me buscar o elevador.
Entrei no elevador e acionei o botão do segundo andar. Em poucos segundos cheguei ao meu destino. Abri a porta e saí. Uma enorme surpresa me aguardava. Deparei-me com um cenário que não tinha nada a haver com   um prédio comercial. Fechei e abri os olhos várias vezes, mas  o cenário não mudou. Perplexo me via diante de uma imensidão verde, ornada com jardins das mais variadas flores e cores. Um riacho serpenteava em meio às arvores e às suas margens, animais de  pequeno porte nadavam prazerosamente.  Uma brisa suave balançava o arvoredo e refrescava o meu corpo.  Voltei-me para o elevador e ali estava ele, em  meio aquela paisagem, como uma grande caixa, destoando do ambiente. O vento balançando  os galhos  das árvores, fez com que um deles roçasse em meu rosto e deixasse cair uma flor verde azulada. Abaixei-me e a recolhi.  Meio confuso, abri a porta do elevador, apertei o botão do terceiro andar e esperei o sinal de chegada. Lentamente abri a porta e deparei-me com um corredor  repleto de escritórios comerciais.  Fechei a porta e acionei o botão do segundo andar. Assim que o elevador chegou, abri a porta rapidamente e.... ali estava o escritório da Corretora.  Ao sair, abismado com o acontecido, fui logo abordado pelo profissional que já me esperava e que me deu as boas vindas. Pensei  haver desperto de um  sonho, fruto da minha imaginação     e de minha tristeza em ter que vender o sítio, quando o corretor me disse:
- Bonitas flores, onde as conseguiu? É uma mistura de cores muito  raras.
Só então me dei conta de  que o que havia acontecido não era imaginação. E respondi a ele, alegremente:
_ São flores do meu sítio. E graças a elas decidi-me a não vendê -lo mais.
De volta para casa, sem saber o que dizer à família, mas convicto da minha decisão, fiquei imaginando o quanto eu era rico. Afinal de contas, num mundo onde as natureza estava  morrendo, eu era dono  de um pequeno  paraíso, verdadeiro portal da natureza.

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