LEILÃO POLÍTICO
No período eleitoral acontece o
mais estranho dos leilões. É o leilão dos votos. E a pergunta maior é: quanto
vale o seu voto? Nos meses que antecedem as eleições começa a caça ao voto.Os pagamentos
variam de R$300,00 a R$500,00 por mês. É claro que o contratado se obriga a dar
o seu voto, o da família e quantos mais puder arranjar. É nessa ocasião que
muitos líderes comunitários trocam os seus ideais por modestos pagamentos
mensais. As pessoas mais pobres são as principais vítimas dessa armação. Devido
ao seu estado de constante necessidade aceitam a proposta indecorosa e garantem
assim parte do seu sustento e, infelizmente, quatro anos de mandato
antipopular. E o pior de tudo é que, após as eleições, se alinham entre os
descontentes para reclamar dos eleitos, como se não tivessem sido responsáveis
por sua eleição.
No dia das eleições, milhares de
pessoas do povo, a maior parte líderes comunitários, cercam as cessões
eleitorais, a certa distância, fazendo a boca de urna para candidatos que, após eleitos, irão ignorá-los por quatro
anos. E isso por um pagamento que varia
de R$50,00 a R$100,00.
O preço do voto é assim avaliado
e pago e as partes dão-se mútua e total quitação.
E como fica a verdadeira
política? Postergada para as próximas eleições. Afinal sempre resta a esperança
de que, no futuro, os líderes comunitários e o povo em geral compreendam que
não há preço para o voto, e que qualquer sacrifício vale a pena para a
construção de uma sociedade mais ética e fraterna.
Os bons candidatos, via de regra,
não têm dinheiro para bancar esse tipo de campanha, e se tivessem,
provavelmente, não entrariam no esquema. E assim, sem usar o poder econômico,
são ignorados pelos eleitores e ficam sempre
à margem do processo eleitoral.
É claro que há bons candidatos e
bons políticos. Para toda regra há exceção, graças a Deus. Mas ainda são poucos
e por isso a sociedade passa por tantos problemas.
Talvez, se nossos políticos não
fossem tão bem remunerados, somente os idealistas se interessariam pela política. Mas ser político, no Brasil,
é ambição mercantilista, e por esse motivo
é um investimento para quem pode.
Mais uma vez chega o momento do
voto e é o eleitor quem decide.
Queira Deus que seja uma decisão
sábia e, sobretudo ética.
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