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segunda-feira, 29 de agosto de 2011

ANJOS DE RUA

O maior patrimônio de uma Nação são as crianças. Nelas está depositada a esperança do futuro. Elas herdarão o mundo. Mas que tipo de esperança elas representam, e que tipo de mundo terão como herança se são ignoradas pelas políticas públicas?

A UNICEF nos dá conta que andam pelas ruas do País cerca de trinta milhões de menores sem lar. É uma população maior que muitos países da Europa. Essas crianças não possuem o aconchego familiar, não gozam da proteção dos pais, não freqüentam Escolas, Igrejas ou Clubes. A sua alimentação é precária, pois dependem do que pedem ou roubam. Vivem em promiscuidade, dormindo sob viadutos, embaixo ou sobre as marquises, quando não nas calçadas onde usam como leito, folhas de jornais, papelão e se cobrem com trapos. Não é muito diferente a situação das crianças das favelas, onde vivem à margem da Sociedade.

E qual o programa social que existe para, pelo menos amenizar esse drama?

Sabemos que todas as iniciativas públicas para tirar os menores das ruas foram frustrantes. E isso porque não se deu a eles nada parecido com a Família. E o único ambiente em que a criança pode crescer e florescer é no espaço familiar. Instituições que se destinem a defender e proteger as crianças têm que ter jeito de família, ou não darão certo. Mas será que o Poder Público ainda entende que a Família é a base sólida da Sociedade?

Faltam Secretarias e Ministérios das Famílias. Criam-se tantos organismos para defender minorias, o que é justo, mas esquece-se da maioria que são as famílias e as crianças. Os homossexuais, que representam cerca de um milhão de habitantes, já tiveram a atenção até do STF. E as crianças de rua que já chegam a trinta milhões, quando serão lembradas?

Esses anjos de rua, que guardam em seu olhar um apelo profundo de proteção, continuarão abandonados enquanto a Sociedade não se der conta que são seu maior tesouro.

Causou-me profunda comoção o olhar meigo e terno que vi em uma criança de rua de cerca de 10 anos, sentada em uma calçada da cidade, coberta com um cobertor velho, apenas com o rostinho de fora. Parecia uma santinha, só que seu altar era uma calçada suja e não havia ninguém que se interessasse por ela. Segui em frente, sem possibilidade de parar devido ao trânsito, para bem mais adiante ser tomado por um sentimento de culpa que não mais me deixou. Seria bom que todos tivessem esse sentimento de culpa.

Haveria menos anjos de cara suja em nossas ruas e mais anjos de cara limpa em nossos lares. E quem sabe, então, nossos políticos passassem a se preocupar com o que é mais importante, e investissem mais na Família e na proteção à criança carente?

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