IMORTALIDADE
Tantos são os sonhos e tão grandes,
Que não cabem em tempo tão curto.
Tanta é a esperança pelo amanhã,
Que supera o espaço do tempo,
E ultrapassa o finito.
Tão grandes são os ideais,
E tão pujantes,
Que implodem a forma da vida.
É tão intensa a sede da imortalidade,
Que a lembrança da morte escandaliza.
A razão humana mergulha tão fundo
No tempo e no espaço,
Que se torna inconcebível o cárcere da vida.
Vida e morte.
Estranho paradoxo.
A inteligência e a emoção gritam que a vida é eterna.
Mas a morte, sempre presente,
Prova que há o ocaso e o fim.
A vida não se conforma
E se debate inutilmente.
A morte espreita
E se ri do sonho vão.
Será a morte o fim?
A esperança diz que não;
Os sonhos se rebelam;
Os ideais se debatem
E a razão não aceita.
Enquanto houver sonhos,
Hão de sobreviver ao tempo;
Enquanto houver esperança,
Há de ser maior que a vida;
Enquanto existirem ideais,
Superarão o espaço finito.
Porque o ser humano pensa,
E a razão vai além do tempo e espaço,
Existe a eternidade.
E lá, no etéreo infinito,
Está a fonte da vida,
O motivo dos sonhos,
A causa dos ideais,
A certeza da esperança,
O recomeço da vida
E o fim da morte.
ÓTIMO TEXTO.
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